Espaço reservado para empresas apoiadoras

Cerca pintada aumenta a produção?

 

A pergunta é provocativa: uma cerca bem pintada e esticada pode, de fato, aumentar a produção em uma fazenda? A resposta imediata, obviamente, é que a relação não é direta. Pintar uma cerca não adiciona um litro sequer ao seu tanque de leite ou um quilo extra à sua colheita.

No entanto, a cerca pintada deixa de ser apenas um item de manutenção e passa a ser uma “necessidade” que emerge de uma cultura mais profunda. Ela é o resultado visível de um produtor e de uma equipe que cultivam uma cultura de melhoria contínua e de redução de desperdícios.

Onde Começa a Cultura da Excelência

Cultivar essa cultura começa na organização do ambiente de trabalho.

Pense nisso: quando em uma fazenda está tudo organizado, limpo e funcionando — ferramentas guardadas em seus locais, máquinas revisadas, pátios livres de entulho — qualquer coisa fora do padrão começa a incomodar. Uma sujeira, um vazamento em um bebedouro, ou, sim, uma cerca mal esticada, tornam-se anomalias que exigem atenção imediata. Esse senso de incômodo é o que impulsiona a melhoria constante.

O inverso, no entanto, é absolutamente verdadeiro e muito mais perigoso: se a fazenda é cronicamente bagunçada, suja e mal cuidada, ninguém vai notar ou se importar com uma cerca quebrada. O padrão de desleixo se torna o padrão aceitável.

O Salto da Cerca para os Resultados

É neste ponto que a relação pode até se tornar direta. Se há pouco cuidado com os padrões de ordem e de limpeza na estrutura física, é muito provável que isso tenha reflexos em outros procedimentos, mesmo que inconscientemente, por parte da equipe. O baixo padrão visual e de manutenção da estrutura se traduz em um baixo padrão de atenção e detalhe nos processos críticos.

Um caso famoso que ilustra perfeitamente essa dinâmica é a iniciativa do ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani. Ele implementou uma política de segurança pública e manutenção de espaços públicos baseado no que ele chamou de “Teoria das Janelas Quebradas”.

A teoria sustenta que sinais visíveis de desordem e negligência — como pichações, lixo acumulado e, claro, janelas quebradas não reparadas — criam um ambiente que encoraja o vandalismo e, eventualmente, crimes mais sérios. A lógica é simples: se ninguém se importa com uma janela quebrada, o ambiente sinaliza que tudo está permitido. Giuliani investiu massivamente na limpeza e organização dos espaços públicos, argumentando que a ordem externa inspiraria a ordem social.

Trazendo de volta ao campo, a sua cerca pintada é o sinal de que a sua gestão não aceita “janelas quebradas” na sua propriedade. Ela é a prova de que cada detalhe importa, do pasto ao escritório, e essa atenção aos detalhes é o verdadeiro motor da eficiência e da alta produtividade.