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Eficiência no Uso do Capital: Como Aumentar a Rentabilidade na Produção Leiteira

Pequenas melhorias contínuas em processos produtivos podem transformar seus resultados financeiros

A produção de leite é altamente intensiva no uso de capital. Todo produtor de leite sabe que tem muito “capital empatado” na fazenda: terra, instalações, tratores, equipamento de ordenha, vacas, lavouras, e por aí vai…

Estima-se que, para produzir algo em torno de 4 mil litros por dia, o investimento por vaca gire em torno de R$ 50 mil, ou um valor entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil por litro de leite produzido. Esses valores aumentam dramaticamente na proporção inversa ao tamanho da produção: quanto menor a produção e o número de animais, maior é o investimento por vaca ou por litro de leite produzido.

Ainda assim, é um fato conhecido que produções de leite eficientes têm uma rentabilidade melhor que a grande maioria das atividades agropecuárias, e até mesmo melhor que muitas aplicações financeiras. Produzir leite de forma eficiente é melhor até do que “deixar o dinheiro rendendo no banco.”

Mas o inverso também é verdadeiro. E, infelizmente, muito mais frequente. Um enorme número de fazendas abandona a atividade porque, em última análise, o resultado financeiro traduzido em rentabilidade é de alguma forma negativo. É o que o produtor chama de “pagar para trabalhar.”

Relação entre rentabilidade e o uso eficiente do capital 

Rentabilidade e capital andam juntos. A rentabilidade pode ser medida em termos do retorno sobre o investimento (ROI), retorno sobre os ativos (ROA) ou retorno sobre o patrimônio (ROE). Tudo isso pode ser tecnicamente interpretado como retorno sobre o capital. Quanto maior for a rentabilidade, maior será o ganho de capital. E quanto maior for a eficiência no uso do capital, maior será a rentabilidade.

Análises de rentabilidade e de eficiência do uso de capital na produção de leite baseadas apenas em indicadores como a eficiência do uso da terra (kg de leite / hectare / ano, ou outro índice equivalente) são de pouca utilidade prática. Não ajuda muito saber que minha eficiência de produção é 20 mil kg de leite / hectare / ano, e que minha rentabilidade é de 25%. Como eu cheguei nesse resultado? O que eu fiz para alcançar esses números?

Uma fazenda com alta produção por vaca pode estar com baixo retorno sobre o investimento devido ao alto custo da alimentação, doenças ou problemas reprodutivos. Mas essa normalmente é a “ponta do iceberg”. 

O aspecto crítico da eficiência do uso de capital é que ela acontece – ou não – na execução de cada tarefa, de cada processo, de todas as atividades da fazenda, a todo momento.

A eficiência do uso de capital está no número de vacas com mastite (que têm seu leite descartado), na taxa de prenhez, na idade ao primeiro parto de novilhas, na conversão alimentar, e assim por diante!

Qual seria o efeito no retorno sobre o investimento se eu tivesse 1% menos vacas em tratamento de mastite? E se eu tivesse uma taxa de prenhez 1% melhor? E se a idade ao primeiro parto das novilhas fosse 1% mais baixa? Ou se o RMCA fosse 1% mais alto?

E se, ao alcançar esse 1% de melhoria, eu melhorasse mais 1%? E se, ao invés de 1%, fosse 2%? Pequenas melhorias, consistentemente, dia após dia. A relação entre melhoria contínua e retorno sobre o capital é direta. A melhoria contínua leva inevitavelmente ao melhor retorno sobre o capital.

Mas essa é uma mudança de perspectiva às vezes difícil de pôr em prática. O produtor precisa adotar a melhoria contínua como uma estratégia de negócio e difundir na sua equipe a ideia de que o resultado da empresa é a soma do resultado do trabalho de cada indivíduo. Vele a pena o esforço.